Cuidado em saúde
A aplicação e difusão de um modelo feminista de cuidado em saúde é um dos pilares centrais do Coletivo.
Mais de quatro décadas de cuidado em saúde, formação e luta pela autonomia e pela justiça reprodutiva.
Articulamos cuidado em saúde, formação, produção de conhecimento e incidência política para fortalecer a autonomia de meninas, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e pessoas com capacidade de gestar. Por meio do atendimento em saúde, da capacitação de profissionais, da pesquisa, da comunicação e do advocacy, contribuímos para ampliar o acesso à informação, aos direitos e a serviços de saúde de qualidade.
Acreditamos que o cuidado, o conhecimento e a ação coletiva são fundamentais para enfrentar desigualdades e construir uma sociedade mais justa, na qual todas as pessoas possam exercer seus direitos com dignidade e autonomia.

A história do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde
A história do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde começa em 1981, sendo a associação formalmente registrada em 1985.
Em pleno processo de redemocratização, em meio à efervescência dos movimentos feministas e das mobilizações de mulheres por saúde, autonomia e direitos, surge, na cidade de São Paulo, o Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. A proposta inaugural girava em torno do resgate da saúde como um direito das mulheres e da compreensão feminista de que as questões individuais também são políticas e atravessadas por desigualdades estruturais.
PDFArquivoVeja a ata de fundação →O Coletivo nasceu antes da Constituição Federal de 1988, antes mesmo da criação do SUS e antes da icônica Conferência de Cairo de 1994, um marco histórico para o reconhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos como direitos humanos.
Portanto, desde sua origem, o Coletivo atua de forma pioneira, ousada e inovadora na construção de um outro modelo de cuidado, de saúde e de sociedade. Em um período em que muitos dos direitos que hoje consideramos fundamentais ainda não estavam garantidos, o Coletivo já defendia a autonomia das mulheres, o acesso à informação, o direito de decidir sobre o próprio corpo e o enfrentamento das violências de gênero.
Os primeiros trabalhos do Coletivo aconteceram em sindicatos, associações de bairro e outras organizações localizadas na periferia e em municípios vizinhos de São Paulo, como Grajaú, Carapicuíba, Santa Isabel e Guarulhos. Os cursos sobre saúde das mulheres e pessoas com útero eram voltados para multiplicadoras, fortalecendo redes comunitárias e ampliando o acesso à informação e ao cuidado.
Prestar assistência e dar orientação às mulheres, especialmente em questões de planejamento familiar e sexualidade
HojePromover a saúde integral e os direitos sexuais e reprodutivos de meninas, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e pessoas que gestam, por meio de acolhimento, orientação, cuidado e defesa de direitos
Realizar estudos
HojeProduzir conhecimento por meio de pesquisas, monitoramentos, sistematização de experiências e análises sobre saúde, gênero, sexualidade e justiça reprodutiva
Promover cursos, seminários e encontros sobre saúde e sexualidade da mulher
HojeDesenvolver ações formativas, cursos, seminários, debates e eventos que ampliem o acesso à informação e fortaleçam a promoção da saúde e dos direitos humanos
Manter documentação
HojePreservar, organizar e disponibilizar acervos, registros históricos, publicações e materiais de referência produzidos ao longo da trajetória institucional.
Publicar material informativo sobre sexualidade e saúde da mulher
HojeProduzir e disseminar conteúdos, campanhas, publicações e materiais educativos sobre saúde, direitos sexuais e reprodutivos, justiça reprodutiva e equidade de gênero.
Ao longo de mais de quatro décadas, o Coletivo Feminista ampliou suas formas de atuação sem perder de vista os princípios que orientaram sua fundação. O compromisso inicial com a orientação, o cuidado e a produção de conhecimento sobre sexualidade e saúde das mulheres transformou-se em uma atuação abrangente em defesa da saúde integral, dos direitos sexuais e reprodutivos e da justiça social. As finalidades definidas em 1985 permanecem vivas, atualizadas pelos desafios contemporâneos e pelo compromisso com meninas, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e pessoas que gestam.

Em 1984, o ambulatório do Coletivo foi inaugurado. Sua criação respondia à necessidade de construir um espaço no qual a pessoa atendida estivesse no centro do cuidado, por meio de vínculos menos hierarquizados com as profissionais, fundamentado na escuta, no acolhimento e na construção de uma outra relação com a saúde e com o próprio corpo.
Foi nesse contexto que se iniciou um processo contínuo de criação e aprimoramento de um modelo feminista de cuidado em saúde, com o desenvolvimento de novas práticas e saberes produzidos a partir da experiência viva do consultório.
O Coletivo faz parte da história das conquistas dos direitos das mulheres no Brasil e reflete o processo de institucionalização do feminismo. Sua existência revela a potência de espaços feministas capazes de sustentar, ao longo de décadas, práticas políticas, produção de conhecimento, cuidado e formação comprometidos com a transformação social.
Muitos dos avanços que hoje existem no campo da saúde e dos direitos humanos foram possíveis graças à atuação persistente, robusta e comprometida dos movimentos feministas e de organizações que, como o Coletivo, ajudaram a transformar a realidade brasileira.



Embora nossa atuação inicial estivesse centrada no que historicamente se nomeava como “saúde da mulher”, o Coletivo sempre compreendeu o cuidado em saúde como um campo vivo, atravessado pelas transformações sociais, políticas e pelos debates produzidos pelos movimentos feministas e LGBTQIAPN+.
Ao longo da nossa trajetória, fomos ampliando a escuta e construindo, de forma coletiva, práticas de cuidado inclusivas, capazes de dialogar com as experiências e necessidades de pessoas sexo-gênero dissidentes.
Esse movimento de atualização permanente faz parte da própria história do Coletivo: rever práticas, incorporar novos debates e produzir respostas éticas e políticas diante das desigualdades e violências que atravessam corpos, sexualidades e modos de existir.
Hoje, o Coletivo cuida de mulheres, meninas, meninos e pessoas LGBTQIAPN+ e se identifica como uma organização que atua pela justiça reprodutiva, reconhecendo que o direito à saúde, à autonomia, à reprodução, à não reprodução e ao exercício livre da sexualidade só pode existir de forma articulada ao enfrentamento das desigualdades de gênero, raça, classe, território e sexualidade.
A atuação do Coletivo está estruturada em seis frentes que se conectam e se fortalecem mutuamente, construídas e articuladas por meio de uma equipe multidisciplinar, atualmente distribuída por diferentes regiões do Brasil, que atua de maneira integrada em seis núcleos.

Ao longo de mais de quatro décadas, seguimos construindo um espaço de cuidado, escuta, produção de conhecimento e resistência feminista. Muitas pessoas descrevem o Coletivo como um lugar de aconchego, um espaço sustentado por relações de afeto, compromisso político e desejo de transformação social.
Essa trajetória também foi construída por muitas mãos, vozes e presenças. Ao longo dos anos, centenas de profissionais, ativistas, pesquisadoras, usuárias, parceiras e colaboradoras passaram pelo Coletivo, deixando marcas, aprendizados e contribuições fundamentais para sua história. Cada encontro ajudou a construir e fortalecer essa organização que segue pulsando e se transformando, fortalecendo seu compromisso ético e político com a justiça reprodutiva.
A atuação do Coletivo está estruturada em seis frentes que se conectam e se fortalecem mutuamente.
A aplicação e difusão de um modelo feminista de cuidado em saúde é um dos pilares centrais do Coletivo.
Atuamos no desenvolvimento de estratégias de advocacy e incidência política voltadas à defesa, ao acesso e à ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos.
A formação e capacitação de profissionais e demais pessoas é outra dimensão fundamental da nossa atuação.
Reconhecemos a importância da pesquisa e da produção de dados como ferramentas de transformação social.
A comunicação e a mobilização social também são dimensões fundamentais da atuação. Para o Coletivo, palavras geram encontros.
O enfrentamento às violências de gênero integra as diferentes frentes de atuação do Coletivo, compreendidas como fenômenos estruturais.
Mais de quatro décadas depois, o Coletivo continua sendo um espaço de cuidado, produção de conhecimento e transformação social, construindo, coletivamente, novas formas de cuidar, resistir e lutar por justiça reprodutiva.
Somos uma equipe interdisciplinar de profissionais e ativistas comprometidas com o cuidado em saúde, a formação, a produção de conhecimento e a ação política feminista. Uma equipe que se renova e se articula em rede para sustentar mais de quatro décadas de atuação.
Cada doação fortalece o cuidado e a luta por justiça reprodutiva.