
• Ninfoplastias: As ninfoplastias são cirurgias na vulva para alterar a anatomia da vulva. O Brasil é campeão mundial em cirurgias íntimas –a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) aponta que 25 mil intervenções do tipo foram realizadas no ano passado. Algumas dessas cirurgias são necessárias para melhorar a qualidade de vida de algumas mulheres, mas outras são oferecidas nos consultórios médicos, muitas vezes sem que seja uma demanda explícita da paciente, mas que frente a autoridade médica, acabam se convencendo que esse pode ser uma caminho para melhorar seus relacionamentos, sua vida sexual, auto estimas, etc.
• O ponto do marido: Essa é uma prática cruel e machista, onde médicos oferecem aos maridos um “presente”, quando são necessários pontos na região do períneo para fechar lacerações (espontâneas ou episiotomia) após o parto. Eles propõem fazer pontos mais apertados a fim de provocar um estreitamento no canal vaginal que beneficiaria os homens com uma vagina mais apertada para a relação sexual. Essa prática deveria nos causar um horror similar ao da mutilação genital e ela é praticada amplamente nos centros obstétricos Brasil afora, sendo um momento de piada e descontração entre médicos e marido das parturientes.
• Episiotomia: A episiotomia é um corte cirúrgico efetuado no períneo (conjunto de músculos próximos a vulva e ânus) ao final do parto, no período expulsivo, já quando a cabeça do bebê começa a sair. Os profissionais que a praticam alegam que ela é necessária para facilitar a saída do feto e para proteger os órgãos genitais femininos de lacerações graves. Profissionais da obstetrícia aprendem essa prática durante a formação e a reproduzem em 53,5% das parturientes no Brasil. Apesar de ser uma prática validada por todas as sociedades médicas brasileiras e mundiais, hoje os estudos mostram que não existem evidências científicas suficientes que respaldem a sua prática. De fato, profissionais da obstetrícia que atuam em base a evidências científicas, apresentam taxa zero de realização da prática.
Cabe então a pergunta: Se as evidências mostram que não deve ser feita e é uma prática que profissionais já aboliram, qual seria a razão de seguir sendo normalizado sua prática e ensinando-a?
Por todos os exemplos anteriores, achamos que vale a pena observar que fazemos parte de uma cultura que, ainda que não mutile, permita e promova intervenções, cortes e manipulações nos órgão genitais femininos, muitas vezes sem o consentimento das mulheres que estão sofrendo essas intervenções, algo que por si só, é proibido por lei. Também é importante ressaltar que na contramão de diversos países, o Brasil ainda não proibiu a Mutilação Genital Feminina.
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