Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde
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Homens, armas e terrores contemporâneos.

30 de agosto de 2019 · 2 min de leitura

Na manhã do dia 3 de agosto de 2019, um homem branco de 21 anos, assassinou 22 pessoas e feriu outras 26, em uma unidade do Walmart, em El Paso, Texas, nos Estados Unidos.

Investigadores suspeitam que o atirador era um seguidor da alt-right e apoiador de Donald Trump, e que seria o autor de um manifesto anti-imigração veiculado em um website extremista, o 8chan. No manifesto, ele se posiciona contra a “mistura de raças” e a “invasão hispânica” no Texas.

O tiroteio tem sido entendido como um crime de ódio e constitui o episódio mais letal neste ano nos Estados Unidos. Apesar disso, com apenas algumas horas de diferença, no dia seguinte, outro tiroteio teve lugar em Dayton, Ohio, no qual dez pessoas foram mortas, incluindo o atirador, e 27 foram feridas. O atirador era também um homem branco jovem, de 24 anos. Trata-se do décimo primeiro massacre desde o início de 2019 nos Estados Unidos, totalizando 71 mortos.

Da década de 1980 aos dias de hoje, foram 188 tiroteios em massa no país. A grande maioria deles, salvo raras exceções, tiveram como perpetradores homens. Os Estados Unidos se encontram na dianteira no ranking de países com maior número de tiroteios em massa, mas não são o único local onde esse tipo de fenômeno ocorre. Infelizmente, temos homens jovens enfurecidos e com acesso a armas em inúmeros países do mundo.

No Brasil, em uma manhã de março de 2019, dois homens jovens, de 17 e 25 anos, entraram em uma escola da qual foram alunos anteriormente, no município de Suzano, no Estado de São Paulo, e mataram oito pessoas. Após o ataque, um dos atiradores atirou no parceiro e em seguida se suicidou. Conhecido como o Massacre de Suzano, o episódio corresponde ao oitavo ataque em escolas no Brasil. Investigações apontam que os dois jovens planejaram o massacre durante cerca de um ano, usando uma arma de fogo e também contando com uma besta, um arco e flecha e uma machadinha. Os dois também procuraram por ajuda em um fórum da internet, tal como o 8chan, no qual são comuns apologias à violência e intolerância a minorias. De acordo com a polícia, entre as motivações do crime estão o bullying que sofriam na escola e o desejo de superar o Massacre de Columbine, nos Estados Unidos.