O feminismo e os novos caminhos para a masculinidade.
18 de março de 2020 · 2 min de leitura

Machismo, violência, ausência de cuidado com si mesmo e o outro não são elementos da natureza do homem.
A questão é que historicamente ser menina significava – e infelizmente ainda significa – ter acesso a menos oportunidades e direitos. Por isso, foram as mulheres que primeiramente estranharam e reivindicaram a “desnaturalização” de seu lugar no mundo. Vale sempre lembrar que há não muito tempo atrás, as mulheres eram vistas como, por natureza, menos inclinadas à razão, ao conhecimento, e, assim, restringidas aos cuidados domésticos e à vida como mães e esposas. Aos homens eram reservados o espaço público, o saber, a liberdade, a política, o poder sobre o corpo das mulheres e toda uma série de direitos dos quais não somente as mulheres estavam alienadas, mas também as populações marginalizadas (negros, pobres, indígenas, imigrantes, entre outros).
Assim, ao reivindicar um lugar não subalterno, as mulheres afirmaram que deveriam ser respeitadas como sujeitos e não apenas tratadas como esposas, mães ou filhas de alguém. O feminismo garantiu o voto às mulheres e o direito à educação formal, assim como politizou a esfera privada. O movimento demonstrou como diferentes questões – a sub-representação das mulheres na política, a desigualdade salarial entre homens e mulheres, a violência doméstica e familiar e o trabalho doméstico, para citar apenas alguns – precisam ser enfrentadas para a construção de sociedades mais justas.
O momento, que vem há pelos três décadas se desenhando e se abre, nos últimos anos com mais força, demonstra não somente que “não se nasce mulher; torna-se”, mas que também os homens não nascem homens. Eles são ensinados. Ou seja machismo, violência, ausência de auto-cuidado e cuidado com o outro, como outros tantos elementos forçosamente vinculados aos homens não são coisas “da natureza” dos mesmos. São elementos aprendidos e vinculados à identidade masculina, mas que podem ser transformados, abrindo caminho para masculinidades mais diversas e saudáveis, não restritas a binarismos de gênero (homem = forte, mulher = delicada).
Para nós do Coletivo, o trabalho em torno de novos conceitos de masculinidade surge assim sob a perspectiva de um feminismo que se questiona sobre a violência que homens cometem contra mulheres, mas também contra outros homens e contra si mesmos. Por que os homens matam tanto, mas também morrem tanto? É preciso pensar masculinidades para que homens, mulheres e sujeitos que não se encaixam nessas nomenclaturas possam permanecer vivos, vivendo vidas que valham a pena serem vividas.
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